segunda-feira, maio 23, 2005

Mais uma vez AMOR...

(Se esse texto ficar com cara de livro de auto-ajuda, por favor, batam com a minha cabeça na parede...)

Ele diz EU TE AMO antes de você. Mesmo não tendo certeza absoluta, você diz que também o ama.

Ele diz EU TE AMO e dessa vez você sabe que é recíproco. Você confirma que também o ama.

Vocês dizem EU TE AMO várias vezes. Juntos.

Você diz EU TE AMO. E ele diz que também te ama.

Você diz EU TE AMO e ele muda de assunto, fingindo que não ouviu.

Você diz EU TE AMO e ele diz que gosta muito muito muito de você.

Você diz EU TE AMO e ele diz que sente um enorme carinho por você.

Você diz EU TE AMO e ele diz "eu sei".

Você diz EU TE AMO e ele não diz nada.

Acho que está na hora de você dizer EU ME AMO... não?

quinta-feira, maio 19, 2005

Estranhas criaturas

Hoje vamos falar sobre o resultado do cruzamento entre o homem e o saquinho que conserva alimentos: o Homem Ziploc.

Seu habitat abrange várias regiões urbanas, mas é encontrado com mais facilidade em locais onde abundam amigos e cerveja.

Até os 30 anos, fica em estado semivegetativo, ocasionado, na maioria das vezes, por uma insegurança causada pelos tocos levados no decorrer da vida. Por um desses fenômenos inexplicáveis da natureza, esse espécime encontra uma fulana desvairada que dá a entender que ele é uma pessoa interessante e tale e coisa. E o indivíduo acredita...

A partir daí, desenvolve uma segurança artificial, que gera comportamentos estranhos, marcados por piadas sem graça, gargalhadas exageradas, olhares de esguelha e uma forma de caminhar sui generis.

No entanto, a lembrança do tempo de encasulamento promove um comportamento ímpar: ele acredita que precisa "armazenar" mulheres para o caso de outra época de vacas magras. Coloca-as, mesmo que à revelia e algumas vezes até mesmo sem o conhecimento das ditas, em saquinhos plásticos, registrando com etiquetas as suas utilidades: "BOA PARA DIAS DE CHUVA", "PARA LEVAR AO BARZINHO", "PARA RESTAURANTES FINOS", "SÓ PARA TRANSAR".

Esse tipo sofre de amnésia seletiva: esquece tudo que possa causar algum embaraço ou desmentir qualquer dos seus "causos".

Pesquisadores investigam a possibilidade de haver também alguns genes de lavadoras de beira de rio nas células do Homem Ziploc. É impressionante a capacidade que ele tem de "torcer" os fatos e de se auto-"ensaboar"...

terça-feira, maio 17, 2005

Orkut de quem?!

Vocês não odeiam esse tal de orkut, de vez em quando?

Todo mundo se encontra.

E você, até quando não procura, acha.

Acha o perfil daquele ex-namorado que você preferia que estivesse sob sete palmos de terra.

Acha recadinhos melosos do seu pretendente no perfil de alguma baranga.

Acha , pior ainda, um “a noite foi ótima” deixado por uma sirigaita qualquer no mural de recados do seu pretendido.

Acha aquele cara tuuuudo-de-bom que você viu uma vez só, há séculos, na casa da sua amiga. Ele tinha namorada na época, tá certo – mas o perfil agora indica que está solteiríssimo. Aí, olhando as comunidades dele, descobre que virou gay.

Acha um velho conhecido do segundo grau que sempre deu em cima de você e nunca mereceu crédito. Ele agora é lindo, culto e bem-sucedido. E casado, claro.

Acha a ex-namorada do seu atual na lista de amigos dele e descobre que o cretino estava mentindo quando dizia que nem sabia por onde ela andava.

Acha aquele sujeito grudento que te perseguiu por oito meses e percebe que ele é amigo-de-um-amigo-seu que, aliás, disse outro dia que queria te apresentar um cara gente-boa. E você pensou que era só uma coincidência de nomes.

Acha dores-de-cotovelo, histórias esquecíveis, fantasmas e enxaquecas.

E se pergunta por que cargas d’água não foi dormir cedo.

segunda-feira, maio 16, 2005

O que é o amor...

Entram na minha sala o cliente, sua mãe e sua tia.

Ele mesmo não fala nada. Mas a mãe e a tia falam. E como!

"E aquela vagabundazinha vivia chifrando ele, sabe doutora, aquelazinha nunca valeu nada mesmo". Elas sempre souberam. Mas ele, cego de amor, casou do mesmo jeito. Ficou contra a mãe. E durante o tempo de casados elas pegaram aquela "uma" com outros homens, várias vezes. No flagra! Mas ele nunca acreditou na mãe e na tia. E acabou se distanciando da família, por causa "daquela".

Até o dia em que ele finalmente pegou. Na casa deles. Na cama deles. Com outro homem.

No mesmo instante eu percebi que o flagra fora armado pela mãe que, juntamente com dois policiais, um vigilante da rua e ele, entraram na casa atrás de um "suposto assaltante". E agora "aquela vadiazinha" ia ter o que merecia.

Que eu ia ter que limpá-la, de qualquer jeito. "Nada de casa, carro, mesada, nada, viu doutora?" Ela tinha que perder tudo. Ela tinha que pagar pelo que fez com o filhinho dela. Com o sobrinho querido.

E ele mesmo não falou nada. Até hoje, no meio do processo ele fala muito pouco. No início eu imaginei que fosse a vergonha. A humilhação. A decepção. Que tudo fosse demais pra ele.

Agora eu soube que não.

Que ele ainda liga pra ela. Diz que a ama e que queria muito voltar. Promete que eles vão morar longe da mãe dele. Longe da família dele.

Mas na frente da mãe e da tia ele fica mudo. E o processo segue.

E, pela primeira vez, que não sei como isso vai terminar...

sexta-feira, maio 13, 2005

Mantra

Não dizem que condicionamento mental funciona? Então: dever de casa para o finde...

Só vou gostar de quem gosta de mim
(Rossini Pinto)

De hoje em diante vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim


Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim

Não vai ser fácil, eu bem sei
Eu já procurei, não encontrei meu bem
A vida é assim, eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

quinta-feira, maio 12, 2005

Assim sim, mas assim também não...

Eu já falei algumas vezes do meu pai por aqui.

O que eu não falei é que nossa relação, por nunca ter sido de pai e filha, é de dois amigos.

Eu conto moooonte de coisas pra ele. Coisas sérias mesmo, de relacionamento e talz. Quase como se eu estivesse conversando com as meninas.

Eu disse quase. Porque isso tem volta.

Se eu conto, ele também quer contar. Contar do dia, dos problemas, dos outros filhos, das namoradas, dos casos, das transas...ÔPA!

Tá bom! Tá bom! Pópára! Pópára!

Informação demais pro meu gosto. Tem coisas que, realmente, eu NÃO preciso saber.

O que meu pai não sabe, ou não entende, é que para os filhos os pais não transam. Nunca! E se transam, não compartilham! Jamais! Ainda mais quando a conversa é entre a filha mulher e o pai, bonito, solteiro, livre, leve, solto e chegado numa putaria, após ter adotado a teoria da própria filha de que "a fila anda".

Quando eu não interrompo ele a tempo fico sabendo de cada uma... E depois marido quer saber o porquê da minha insônia voltar de vez em quando...

quarta-feira, maio 11, 2005

Pillow Talk

Ele me liga no finalzinho da noite e,
com aquele sotaque gostoso, me chama de "preciosa"...

Ele me conta sobre os trabalhos da faculdade e
sobre como está cheio de afazeres por causa
da ausência do irmão dele,
que está curtindo férias na Espanha...

Ele fala sobre a alergia que tem a pólen e
que está com o nariz escorrendo e
com os olhos vermelhos...

Ele ensaia uma cena de ciúmes quando eu conto
do jogo de futebol de uns amigos e
reclama que eu devia estar muito
distraída com eles para atender
o telefone no dia anterior...

Ele pede para eu não fazer planos
para nós, mas se irrita quando eu
digo que vou fazer trekking no Peru "with or without you"...

Ele diz que eu estou muito bem-humorada...

Ele diz que me ama...

Ele diz boa-noite...

Ele desliga...

E eu sonho...




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Surtei!!! Vou bem ali queimar o meu soutien e já volto!!

segunda-feira, maio 09, 2005

Quem ri por último?

Ela vai passar um mês fora. Rio de Janeiro. A trabalho.

Perguntam para ele como vai se virar para cuidar do bebê, durante esse mês. Ele, do alto da sua segurança machista, responde que não está preocupado, que vai trocá-la por uma garota de vinte anos.

Alguém responde:

- Pois eu acho que você deveria se preocupar, sim. Afinal, quem vai passar trinta dias na Cidade Maravilhosa é ela...

Cai o pano.

quinta-feira, maio 05, 2005

Existe vida após "O Amor"?

Você tem uma vida legal. Seus amigos são legais. Sua rotina é legal. Seu dinheiro dá pra você fazer as coisinhas que gosta e pagar as contas. Mas você quer mais. Você quer alguém pra dividir essa vidinha que você gosta. E você quer amar. Então vocês se conhecem. E se apaixonam. E namoram. E ficam mais apaixonados ainda. E namoram mais. E começam a se amar. E amar é bom. E você tem certeza de nunca amou assim em toda a sua vida. Ele é o amor da sua vida. Você é o amor da vida dele. E você quer passar o resto da sua vida amando desse jeito. Por que esse não é mais um amor. Esse é "O Amor", aquele que você procurou a vida inteira. E ele partilha da mesma opinião. E então vocês querem mais. E resolvem se casar. Porque se amam, claro. E então, toda a sua vida muda. Seus amigos mudam. Sua rotina muda. Suas despesas mudam. Suas responsabilidades mudam. Aquela vidinha despareceu. Você agora tem outra, que divide com alguém. E a vida é boa. O amor é bom. Mas o tempo passa. E vocês são diferentes. Têm pontos de vistas diferentes. Vontades diferentes. Amigos diferentes. Têm objetivos diferentes. E personalidades diferentes. E algumas brigas são inevitáveis. Mas vocês ainda têm o amor de vocês. E esse amor pode tudo. É maior que todos os pontos de vistas, que todas as vontades, que todos os amigos, que todos os objetivos, que qualquer personalidade forte. É maior que qualquer briga, por mais feia que ela seja. Mas de repente, no meio de tanta coisa, de tantos objetivos, de tantos pontos de vista, de tantas diferenças e brigas e egos, o amor já não parece tão grande. Já não parece tão bom. Já não parece suficiente. Parece pequenininho. Parece fraco, diluído. Não parece mais aquele amor que você tanto queria. Não parece mais ser "O Amor" que você tanto procurou. "O Amor" que você queria era diferente. E vocês deixam de querer. Não sem ficar com pena de tudo aquilo. Com pena de que aquilo, que era tão grande e tão bonito e tão suficiente, tenha se tornado tão pequeno e fraco e insípido. E vocês até tentam resgatar tudo aquilo. E sofrem por não conseguir. E sofrem por ter que desistir. E sofrem. E depois de tudo isso, como voltar para a sua vidinha? Como não mais dividir nada com ninguém? Como voltar a ter seus amigos, sua rotina, suas coisas? Existe vida após um amor? Existe vida após esse amor? Existe vida após "O Amor"? Existe vida? Foi tudo um engano?

segunda-feira, maio 02, 2005

Historinha para ninar uma amiga...

Este é um post antigo, lá do Passeio. Eu gosto deste texto, ele me faz bem. Mas tudo o que está escrito nele é o que eu gostaria de dizer para você, amiga.

Estava andando distraída pela rua quando tropeçou em um pacote. Depois de ver estrelas e de listar todos os palavrões que conhecia, percebeu que, com a topada, o pacote se abriu. Por curiosidade (sabe como é, signo de gêmeos, conjunção lunar e etc.), abriu um pouco mais e viu que, lá dentro, havia um amor. Não era um amor novo, já estava, inclusive, bastante usado, mas dava para perceber que era dos bons, sólido, firme. Desembrulhou tudo, dobrou o papel e colocou o amor sobre uma mureta. Marcas de mordidas aqui, faltando alguns pedaços ali, mas ele estava praticamente inteiro. O cheiro ainda era bom, um restinho de laranja com canela. A cor era firme, destas que não desbotam. Decidiu levar o amor para casa. Não era seu, ela nem sabia quem o havia abandonado assim, na rua. Já entrara em sua vida causando dor: a topada machucara o dedão direito. Mas não é todo dia que se encontra um amor assim, embrulhado para presente no meio da rua. Chegando a casa, não encontrou um lugar onde pudesse colocar o amor. Ora o lugar era pequeno, o amor não cabia ali. Ora era grande demais, e o amor ficava perdido em meio a tanto espaço. Pensou mesmo se não seria o caso de guardá-lo em um banco, afinal, era artigo raro nestes dias, alguém poderia querer roubá-lo. Mas desistiu da idéia. Era tão bonito, tão colorido...estava pensando no melhor lugar para exibi-lo (sim, porque, arrependida da idéia de encerrá-lo em um cofre, agora queria mostrá-lo a todos que entrassem em sua casa), quando notou que ele rolou para um canto do sofá. E parecia confortável ali, encostado nas almofadas. “Então, era ali que ele queria ficar!”, pensou. E ali ele ficou.

Não era o seu primeiro amor. Ela já tivera outros. Alguns ela ganhara, outros ela comprara, mas nenhum deles tinha aquele apelo meigo, quase um pedido de cuidados, com suas marcas de mordidas e seus pedaços faltosos. Cuidava daquele amor com todo o seu coração. E ele retribuía. As marcas ficavam menos visíveis. Um dia, ela até pensou ter visto um sorriso. Podia jurar. E o amor crescia. As pessoas que a visitavam se surpreendiam com aquele amor. Um amor que não era dela, que ela encontrou na rua, que ela trouxe para casa. E ela fazia questão de mostrá-lo. De contar como o encontrou. Dez, vinte, cem, duzentas vezes. E as pessoas estranhavam. “Mas você nem sabe de quem é!! De onde ele veio? Não é falsificado?”. E foram tantos os comentários que o amor começou a ficar assim, meio ressabiado. E já não brilhava tanto, nem exalava
seu cheiro de canela e laranja. E ela percebeu. E um dia deitou no sofá, bem perto do amor. E chorou silenciosamente. Ele não era seu, podia até ser falso, mas lhe fazia um bem tão grande. Era tão bom sabê-lo ali, perto dela. Fechou os olhos e não percebeu que o amor encostara-se a seu corpo. Sentiu apenas o calor que emanava dele. Abriu os olhos e ainda teve tempo de ver uma pontinha entrando no seu peito, para sempre.


sábado, abril 30, 2005

Droga droga droga...

Aí você recebe o seguinte telefonema:

"-Amor, olha, tô saindo do trabalho agora mas não vou pra casa. O pessoal tá fazendo uma pressão aqui e eu vou ali tomar alguma coisa com eles, tá? Não demoro. Beijo."

Você nem tem tempo pra reagir. Diz que "ãh, sim" ou então "claro, claro querido...", mas no fundo, um turbilhão de coisas invade a cachola, que começa a funcionar e nem sempre funciona muito bem...

Como assim, vai sair com o pessoal? E nem me chamou? E que pressão é essa que o pessoal tá fazendo? E pra onde eles vão? Será que ele vai demorar muito?

Se ele não me chamou é porque não queria a minha companhia. Puxa vida, ele não gosta mais da minha companhia. Então é porque o relacionamento está esfriando, claro, se ele não gosta mais de sair comigo! Ou então ele tem vergonha de mim e não quer que eu saia com os amigos dele. Ou pior! Se eu não posso ir nessa saída é porque tem mulher no meio! Claro! Os amigos fazendo pressão, eu não posso ir, na certa tem mulher no meio! Quem pode ser? Será que é do trabalho? Mas lá só tem a Dona Amália, aquela senhora de 55 anos e a Rosinha, que é casada e também é feia que dói... mas não tinha uma estagiária nova? Acho que ele falou alguma coisa de que tinham contratado alguma estagiária nova... droga droga droga. Será que é uma dessas menininhas novinhas, que andam de minissaia pelos escritórios sorrindo pros funcionários porque não sabem fazer outra coisa?

Ai minhanossasenhora e esse relógio que não anda! Que horas eram mesmo quando ele ligou? Deixa eu ver... já se passaram 40 minutos e ele nada de chegar! Droga, droga, droga. Também vou sair. Isso, vou sair! Mas sair pra onde, se já são 9 da noite de uma sexta-feira e eu não combinei nada com ninguém. Todo mundo já deve ter programa a essa hora... Droga droga droga...

Bom, preciso me distrair até ele chegar. Não posso dar bandeira de que fiquei chateada. Ou ansiosa. Ou insegura. Droga droga droga. Vou comer. Isso, vou comer alguma coisa. Deixa eu ver... chocolate, amendoim, pipoca, refrigerante, um sanduíche... por enquanto isso dá pro gasto.

Vou ver televisão. Não, vou ligar o computador e ficar na internet. Vou ler um livro. Não, vou terminar de montar meu quebra-cabeças de 3.000 peças. Vou fazer uma faxina nessa casa. Acho que vou passar roupa. Mas que horas são hein! Puxa vida, tudo isso, já se passaram duas horas desde que ele ligou?

Ai, meu Deus, o portão tá abrindo, ele tá chegando. Vou deitar e fingir que tô dormindo. Não, que estou assistindo TV. Ou então vou dizer que trabalhei a noite inteira e nem vi a hora passar... droga droga droga...

"-Oi amor, cheguei... ué o que vc tava fazendo? Assistindo TV, lendo um livro com a luz apagada ou dormindo?"

Droga droga droga...

segunda-feira, abril 25, 2005

Isso está muito bagunçado!!!

Um casal está discutindo, terminando o relacionamento. Ela, com todo aquele tato que só as mulheres têm nesses momentos, joga na cara do fulano todo o tipo de acusações. Ele, se sentindo em desvantagem, dá uma última cartada:

"–E eu fingi todos os orgasmos!!"

Pausa para as gargalhadas. Era uma comédia. E o mecanismo da piada era trazer uma situação insólita: homem fingir que gozou? Impossível!!!

Pois não é que estava eu, pleno domingo, com a minha canequinha de mingau de farinha láctea no colo, quando leio no jornal: "Homens também fingem orgasmos". Quase tive uma síncope. Não, não foi porque eu não sabia. Sempre desconfio desses fingidos, não é novidade para mim. O problema é a divulgação.

Tá lá o mocinho, contando, com a maior alegria (parece que estou vendo a cara de prazer!!), como engana a namorada. Claro que o papo é em escala industrial, como convém a quase todos os representantes do sexo masculino:

"Gozo a primeira vez, a segunda... na terceira, eu finjo. Fecho os olhos, digo umas coisas e saio correndo para o banheiro, que é para ela não perceber que a camisinha está vazia."

Filhinho, senta aqui no colo da tia. Primeiro, parabéns por usar camisinha. Segundo, fala sério!!! Você finge na terceira? Já parou para pensar que a sua namorada pode estar fingindo desde o boa-noite? Sim, porque se até agora você não aprendeu que qualidade não tem relação com quantidade, tem algo de errado no reino da Dinamarca.

Mulher fingir orgasmo é quase um patrimônio da humanidade. Pense em quantos casamentos foram salvos, quantas assaduras foram evitadas, quantos suicídios adiados... desenvolvemos essa técnica durante séculos. Aperfeiçoamos os detalhes, os gestos, a sonoplastia. Devíamos ter patenteado... agora, Inês é morta!!

Agora, falando sério. Já chega de tanto fingimento, né? A gente já finge que vive, que trabalha, que estuda, que gosta, que respeita. Fingir que está tendo prazer é o ó do borogodó. Depois acostuma... aí é que eu quero ver!

domingo, abril 24, 2005

O ovo ou a galinha?

Alguém me responde aí, por favor, em relação aos homens...

Por que é que não enxergam que "aquela amiga" quer ser muuuuito mais do que uma amiga?

Por que é que não enxergam que sua mamãe vai fazer de tudo pra mostrar que mulher nenhuma vai ser tão boa pra ele como ela é?

Por que é que não enxergam quando aquele zé mané está te enchendo o saco, mas implicam com o gatinho que te deu uma olhada inocente?

Por que é que não enxergam quando cortamos ou tingimos o cabelo, compramos uma roupa nova ou inauguramos um novo perfume?

Por que é que não enxergam que sua amada vive em constante provação diante da sua adorada turma de amigos?

Por que é que não enxergam que seu moletom surrado e preferido não combina com o modelito jeans-sandália-top da sua querida para uma saidinha básica?

Por que é que não enxergam que o romance não acabou só porque vocês estão casados e que motel, restaurante e boite não são somente programas para solteiros?

Agora, alguém me responde aí, por favor, em relação a nós...

Por que é que sempre implicamos com alguma amiga dele?

Por que é que não conseguimos dar o braço a torcer e pedir pra sogrinha nos ensinar aquela receita que ele adora?

Por que é que ficamos indignadas quando ele demonstra ciúmes e insultadas quando ele não demonstra?

Por que é que fazemos questão de que ele note que aparamos as pontas do cabelo ou mudamos o esmalte de "branco" para "pérola"?

Por que é que inplicamos tanto com os amigos dele, se nossos amigos agem do mesmo jeito?

Por que é que nos apaixonamos pelo jeitinho "despojado" dele se vestir e depois de algum tempo começamos a achar o "despojado" muito largado e insistimos em mudá-lo?

Por que é que achamos mega-romântico um casal que curte sua casa, adora namorar na cama, assistindo filminho no DVD com pipoca e reclamamos que ele não nos leva pra sair?

Os homens são mesmo uns cegos ou nós é que estamos muito chatas?

quinta-feira, abril 14, 2005

Não vá para Nova Iorque, amor, não vá...

Sou uma mulher ou sou uma barata? Se eu considerar o pânico que sinto diante de uma barata, sou uma mulher. Se essa questão for simbólica, referindo-se a uma alegoria da dialética "coragem-covardia", sou, definitivamente, uma barata.

O que me levou a essa descoberta foi o ressurgimento de um grande amor do passado. Um peruano, com nome de judeu, que eu conheci na Alemanha, e que agora está morando na Big Apple. Depois de oito anos de ausência, um e-mail falso anunciando a morte dele em um acidente de carro e muitas lágrimas de puro sofrimento cafona, ele encontra meu telefone... e diz que passou esses últimos oito anos me procurando.

Depois as pessoas não acreditam quando eu digo que o roteirista da novela da minha vida é mexicano!!!!

Para o Ysaac já está tudo certo: ele já me perdeu uma vez, não quer me perder de novo. Eu vou morar lá. Ponto.

Depois, as pessoas me perguntam por que eu bebo...

segunda-feira, março 07, 2005

Questão de definições...

Existe algum outro dicionário por aí que eu não conheça? Algum além do seu Orélio, do seu Uáis? Só pode ser isso... que outra explicação poderia haver para as cenas que tenho vivido ultimamente? Para mim, sim sempre foi sim, não sempre foi não e mais ou menos podia ser qualquer um dos dois. Mas agora decubro que sim pode ser não, não pode ser sim e mais ou menos pode ser %$#$%¨nenhuma...

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Você encontra alguém. Você gosta desse alguém. Esse alguém demonstra interesse por você. Você e esse alguém trocam uns materiais genéticos. Você descobre que o alguém é um canalha. Fim.

Dar uma novela, não dava. Mas a dor de cotovelo é garantida.

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"_ Eu não estou namorando a fulana! Só trocamos uns beijos, convidei-a para assistir à corrida na minha casa, levei-a para passear de lancha... mas não está rolando nada!

_ E ela sabe disso?"

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segunda-feira, fevereiro 14, 2005

A eterna guerra dos sexos

O relacionamento entre o homem e a mulher é uma eterna guerra dos sexos. E é mesmo, descarada. Vivemos competindo. Em tudo. E mesmo quando não estamos nos relacionando, ainda assim, competimos. Quer ver?

Hoje eu encontrei um antigo namorado no shopping. Antigo mesmo, de uns 12 anos atrás. Namoramos um certo tempo e eu terminei com ele pra ficar com outro, pelo qual achava estar loucamente apaixonada. Tinha 19 anos na época.

Depois que me dei mal com o novo namorado, nos reencontramos e resolvemos sair de novo. Saímos, foi péssimo e ele me dispensou. Beleza, bem-feito.

Depois disso, nunca mais nos falamos. Eu o vi umas 3 ou 4 vezes durante todos esses anos, passando na rua, no shopping ou num barzinho qualquer. Não sei porque, hoje, quando o vi passando por mim, resolvi chamá-lo.

Vi que ele ficou surpreso, mas contente. Começamos a conversar. A conversa ia bem até que começamos a falar sobre nossas vidas. Ele também está casado, com um filho de sete anos. Eu estou casada pela segunda vez e sem filhos. Pronto.

Ele queria me convencer, sutilmente, de que estava melhor do que eu, porque ele tinha um filho e estava casado com a mesma mulher há sete anos. Eu tentando explicar pra ele que não era muito chegada na idéia de ser mãe, que minha vida está ótima sem crianças por perto e que o fato de ser casada pela segunda vez não fazia de mim um fracasso em termos de relacionamento.

Estávamos competindo pra ver quem estava melhor sem o outro.

De vez em quando eu escorrego e faço umas dessas... Ridículo, não?

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

O Príncipe e a Perereca

Tudo bem, ela é feia*.

Tudo bem, ela é mais velha.

Tudo bem, a ex era elegante de chorar.

Tudo bem, ela não vai poder ser majestade.

No meio de tudo isso, recuso-me a acreditar que as pessoas que levantam bandeiras contra a supervalorização da aparência estejam achando isso tudo um absurdo. Afinal, não era isso que queríamos ver? Um amor de verdade, que vence as regras sociais e reais, que supera o tempo, que se fortalece.

Tudo bem que é meio nojento, mas até hoje ninguém quis ser o meu Tampax. Tenho que tirar o chapéu para essa mulher, apesar de achar que, para agradar "àquele" príncipe, não deve ser necessário ser uma expert... será que ela chupa umbigo pelo avesso?

Well... vou separar o meu vestido de brocado e, no dia do casamento, vou fazer um brinde em nome do amor de verdade, do dia em que o príncipe beijou a perereca. Ela continuou perereca, mas ele pensou: "Humpf, e daí?".



*Vamos combinar que ele não fica atrás...

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Na praia, todas as bundas são... bundas

Estive na praia nas minhas férias. Mas especificamente em Cabo Frio. Linda praia. Adorei.

Aproveitei a oportunidade para fazer uma observação de campo. Não há lugar melhor para comprovar a tese da supervalorização da beleza plástica do que em uma praia, onde as pessoas andam quase peladas.

Fiquei olhando grupos de homens e de mulheres, grupos mistos, grupos indefinidos e cheguei às seguintes conclusões:

1) Nada mais democrático do que a celulite. Não escolhe idade, peso, raça, credo, cor de cabelo;

2) Vive mais feliz quem sofre de surdez seletiva. Quem dá ouvidos às críticas ferinas dos outros corre o risco de nunca conseguir entrar na praia de costas para a areia. Tem que entrar tipo caranguejo. E de canga;

3) Moda só existe na televisão e nas revistas. Na prática, vai o que dá mais conforto, dane-se se o culote fica evidente, ou se o decote não favorece seios fartos;

4) Homens, por favor, não usem sunguinhas cavadas. Sei que existem pessoas más no mundo, mas nem todas merecem esse castigo;

5) Pessoas que levam cachorros para praias muito freqüentadas deviam ser presas;

6) Agora, o mais importante:

Existem dietas mirabolantes. Exercícios puxados, novas modalidades de ginástica nas academias. Pílulas milagrosas. Cirurgias salvadoras.

Mas, na real, apenas duas "substâncias" funcionam 100%: ser feliz e amar.

Vi corpos perfeitos abraçados, como se estivessem em meio a um naufrágio, a corpos muito mal-acabados. Altos com baixos, magros com gordos, negros com brancos, lindos com feios, mais-ou-menos com mais-ou-menos... e todos estavam felizes. E muitos estavam com tesão. Por outros corpos portadores de barriguinha, estrias, celulites, culotes, flacidez...

Resumo: o pior é ter celulite no cérebro... aí, não há drenagem que resolva...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Traição ao quadrado...

Ela entrou na minha sala aos prantos. Com cinco anos de casada, feliz, haviam acabado de comprar um apartamento, viajaram de férias, como isso podia ter acontecido?

Ela descobriu tudo ao chegar de surpresa de uma viagem de trabalho. Foi um flagrante e tanto. Depois, pensando melhor, viu como tinha sido estúpida por tanto tempo. Tudo sempre esteve diante dos seus olhos. Ela que nunca quis ver.

Agora os dois estavam lá, viajando, divertindo-se no exterior, enquanto ela estava aqui, devastada, sem conseguir comer, dormir e até tinha sido demitida do emprego, porque não conseguia trabalhar. Só chorava.

Sabia que eles tinham se conhecido antes do seu casamento. Ela achava que eram apenas amigos. Fora isso que ele sempre dissera, que eram bons amigos.

Como ela não havia desconfiado antes? Até mesmo naquela ocasião em que ele viajara a trabalho e lá eles se encontraram "sem querer". E ele só lhe contara quando ela achou uma foto deles sentados num bar na beira da praia. Ela se lembra dele gaguejando: "Pois é, nem te contei, olha que coincidência, estávamos os dois lá a trabalho".

Burra, burra, burra, burra.

E o pior: ela estava planejando ter um filho e como seu marido tinha poucos amigos e familiares, ela até cogitara chamá-lo para ser o padrinho.

Sim, ele...

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Pequeno Manual de Relacionamentos

(da série Definições Personalíssimas)


Eu não tomo a iniciativa. Nunca, em tempo algum, a respeito do que quer que seja. Por mais vontade que eu tenha. E sim, pago um preço por isso, mas não pretendo mudar.

Não tenho o hábito de telefonar nem para meus amigos, que dirá para o resto da humanidade.

Odeio mentiras. Posso até relevar, mas vai demorar um tempo imenso para recuperar minha confiança novamente. É que confio facilmente nas pessoas, só que deixo de confiar mais facilmente ainda.

Não me disponho a namorar com freqüência. Quando o faço, é porque estou esperando algo mais que uma mera companhia ocasional – isso, tenho com meus amigos, obrigada.

Duvido de declarações de amor que chegam rápido demais.

Não acredito em amor à primeira vista.

Não me apaixono facilmente. Aliás, quase nunca me apaixono. E detesto quando acontece.

Não estou atrás do homem-perfeito, o Mr. Big ou o príncipe encantado. Já passei dessa fase.

Não quero uma "alma gêmea". A vida seria muito chata com alguém igualzinho. Quero crescer com as diferenças.

Meus amigos existem antes de qualquer cidadão, e pretendo que continuem a existir depois. Não os troco. Que ninguém tente impor-me "escolhas".

Dinheiro não é tudo no mundo, mas um-amor-e-uma-cabana só dá certo em filmes água-com-açúcar. E olhe lá.

Sou territorial. Detesto que invadam meu espaço. Isso inclui bater na minha porta sem nem ligar antes, ou aparecer no serviço de surpresa. Essas coisas só são legais numa relação que já ultrapassou há muito o ponto inicial.

Não divido conta de motel, em hipótese alguma. Meu feminismo não vai tão longe.

Gosto demais da minha liberdade. Não aceito carona nos primeiros encontros. E também não quero ninguém de carona comigo. Desejo chegar e sair na hora em que bem entender.

Nada de "rapidinha". Se é isso que o cara pretende, que vá atrás de uma profissional.

Não quero que me levem a sério demais, porque nem eu mesma o faço. Só que, quando me der ao trabalho de falar que uma coisa ou sentimento são sérios, espero que não façam pouco caso.

Não suporto homem "pegajoso", daqueles que ligam até quando não têm assunto.

Não tenho paciência com gente ciumenta. Eu sou ciumenta. E possessiva. Mas mantenho-me sob controle e espero o mesmo.

Beleza ajuda, mas, contrariando o Poetinha, inteligência é que é fundamental.

Sim, eu sei ser romântica. Gosto do romantismo. Só que há tempo e lugar certos para ele.